Nossa História

A Associação Mineira das Escolas Família Agrícola – AMEFA, criada em 24 de julho de 1993, é uma Entidade Civil, sem finalidade econômica, que congrega 18 Associações Escolas Família Agrícola para a promoção educacional, coordenação, animação e representação das Escolas Famílias Agrícolas – EFAs do Estado de Minas Gerais. Sua missão é contribuir para que as EFA’s desenvolvam uma formação integral e personalizada de jovens trabalhadores rurais e suas famílias, em harmonia com o meio ambiente; articulada com valores humanos, cristãos, técnico-científicos e artístico-culturais; centrada em políticas de geração de trabalho e renda familiar, na perspectiva do fortalecimento da agricultura familiar, da Educação do Campo e da solidariedade e sustentabilidade no campo.

Uma EFA é uma Escola Comunitária, sem finalidade econômica formada a partir de uma associação de famílias de agricultores familiares, instituições e/ou pessoas afins que, organizadas, a criam para oferecer educação apropriada aos seus filhos. Este modelo de escola adota a Pedagogia da Alternância originária na França que consiste em alternar a formação de adolescentes e jovens em um período de estudos e aprofundamentos na escola e outro de aplicação, indagação e questionamentos da realidade sócio-profissional no meio em que os estudantes vivem.

A AMEFA foi criada porque as primeiras EFAs mineiras surgiram de forma dispersa e  por iniciativas de  forças sociais diversas. Por falta de uma coordenação a nível estadual afinada com os princípios da Pedagogia da Alternância e do movimento das EFAs; pelo pouco conhecimento da verdadeira Pedagogia da Alternância e por falta do protagonismo das famílias, algumas EFAs assim que iniciaram, logo perderam as características originais. A necessidade de uma associação regional representativa e coordenadora da proposta educativa por alternância em Minas Gerais já era discutida desde o início dos anos 90. As discussões tomaram corpo a partir de 1991 e se estenderam até a data da instituição da AMEFA em julho de 1993.

A Visão da AMEFA é ser uma Instituição reconhecida pela qualidade na coordenação, animação e representação das EFA’s associadas, tendo como destaque o compromisso com a diversificação de atividades produtivas e sustentáveis, com o empreendedorismo e valores do associativismo em prol da educação, da profissionalização e inserção de jovens rurais e familiares na agricultura familiar e em diversas profissões e atividades do campo.

As experiências mais importantes que a organização acumula são:

FORMAÇÃO INICIAL NA PEDAGOGIA DA ­ALTERNÂNCIA – FIPA: Curso com formação em Pedagogia da Alternância ministrado aos educadores e educadoras em exercício nas EFAs, sendo 11 módulos de formação em 2,5 anos, desde 1998, para os educadores iniciantes; – FORMAÇÃO DE DIRETORES(AS) DAS EFA`S: Curso seqüencial de capacitação em gestão administrativa e pedagógica de Escolas Família Agrícola. Ministrado em três sessões anuais, com carga horária de 32h cada. A AMEFA desenvolve esta ação desde 2004, a partir da construção do plano de formação de diretores;

FORMAÇÃO EM AGROECOLOGIA VOLTADA PARA TÉCNICOS DAS EFA’s: Curso ministrado em seis etapas de 24h tendo como público alvo monitores da área profissionalizante das EFAs. Este curso vem sendo implementado desde 2007 com perspectiva de continuidade em 2011e tem por finalidade possibilitar às equipes construírem seus currículos e planos de cursos de acordo com os princípios da agroecologia a serem trabalhados de forma transversal pelas EFAs.; CAPACITAÇÃO EM ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DAS ROTINAS ADMINISTRATIVAS: São oficinas realizadas com os membros dos Conselhos Administrativos das AEFAs para um público de 15 pessoas (coordenador, C. Administrativo e Conselho Fiscal); FORMAÇÃO EM GÊNERO: Curso voltado à formação em gênero. O público são as formadoras que compõem o núcleo de gênero. Estas formadoras tiveram Seminários, cursos de capacitação e reuniões de planejamento. Posteriormente realizaram 32 oficinas, sendo duas em cada uma das 18 EFAs, totalizando 36 oficinas e um público de 540 mulheres capacitadas, nas 18 EFAs; -FORMAÇÃO DA JUVENTUDE RURAL: Ministrada com o intuito de promover a auto organização da juventude rural, para formação de lideranças. Discussão sobre políticas públicas para juventude e como acessá-las. Envolveu cerca de 1.000 adolescentes e jovens das EFAs, numa discussão preliminar, trabalhou princípios associativos e vivencias em grupo; –COORDENAÇÃO DO I SEMINÁRIO NACIONAL DOS EDUCADORES E EDUCADORAS DOS CEFFA’s EM PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: A AMEFA coordenou em 2006, em Brasília o I Seminário Nacional dos Educadores/As na Pedagogia da alternância “ Fortalecendo a Educação do Campo de 11 a 14 de setembro de 2006; –PARTICIPAÇÃO NA EQUIPE PEDAGÓGICA NACIONAL DOS CEFFAS DO BRASIL: Encontros de cunho pedagógico que discutem as temáticas de educação do Campo, na perspectiva da Pedagogia da alternância no Brasil – 3 Encontros de 40 h anuais; REALIZAÇÃO DE 06 (SEIS) SEMINÁRIOS DA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO DO CAMPO -Ocorridos nos anos de : 1999,  2001, 2003, 2005, 2007 e 2009; REALIZAÇÃO EM PARCERIA COM A FAESA -ES,  DO CURSO SUPERIOR TECNOLÓGICO EM GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. O curso teve co – participação de entidades coordenadoras de EFA’s no do Espírito Santo e Rio de Janeiro além da UNEFAB; PARTICIPAÇÃO E COORDENAÇÃO DE EVENTOS DE EDUCAÇÃO DO CAMPO: Conferências Estaduais e Nacionais de Educação do Campo; Coordenação atual da Rede Mineira da Educação do Campo Em conjunto com FETAEMG, CPT, Cáritas, MST, MAB, EMATER-MG; –REALIZAÇÃO DOS I E II SEMINÁRIOS INTERNACIONAIS DA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA;ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO ÁS EFAS DE MINAS GERAIS – entre os anos de 1998 aos dias atuais; CAPACITAÇAO EM FACILITACÃO E ELABORAÇÂO DE PROJETOS E MANUTENÇÃO DE UM  GRUPO DE ELABORAÇAO PARTICIPATIVA DE PROJETOS – GEPP: formado de  17 membros que se responsabilizam pela  elaboração participativa de projetos nas EFAs e na AMEFA;

 


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Responses

  1. Sou Diretor de uma escola Estadual na Zona Rural, gostaria de mais informacoes sobre essa projeto para analisar as possibilidades de trabalhar com a pedagogia da alternancia.

    Agurdo retorno.

    Claudinei

    • Companheiro. A AMEFA apresenta a seguir, a Pedagogia da Alternância, como método que parte de experiência empírica de agricultores e aprofundada e embasada em diversos estudiosos e defensores de uma pedagogia emancipatória. A Pedagogia da Alternância, neste projeto é uma proposta diferenciada e alternativa que se constitui no universo pedagógico como sendo uma pedagogia da resistência cultural em relação à forte hegemonia neoliberal presente na educação brasileira, principalmente, a partir da década de 90 em diante (NASCIMENTO, 2002). Toda a ação desenvolvida nas Escolas Famílias Agrícolas – EFAs – tem embasamento neste método de ensino

      A Pedagogia da Alternância significa o processo de ensino-aprendizagem que acontece em espaços e territórios diferenciados e alternados. O primeiro é o espaço familiar e a comunidade de origem (realidade); em segundo, a escola onde o educando/a partilha os diversos saberes que possui com os outros atores/as e reflete-se sobre eles em bases científicas (reflexão); e, por fim, retorna-se à família e à comunidade a fim de continuar a práxis (prática + teoria) seja na comunidade, na propriedade (atividades de técnicas agrícolas) ou na inserção em determinados movimentos sociais.

      A Pedagogia da Alternância baseia-se num método científico. Observar, ver, descrever, refletir, analisar, julgar e experimentar, agir ou questionar (através dos Planos de Estudos na família, comunidade ou na escola), procurar responder às questões (através das aulas, palestras, visitas, pesquisas, estágios) e experimentar (fazer experimentar em casa a partir do aprofundamento). Este método está implícito na proposta de Jean Piaget, “fazer pra compreender”, ou seja, primeiro praticar, para depois teorizar sobre a prática. O princípio é que a vida ensina mais que a escola, por isso, o centro do processo ensino-aprendizagem é o sujeito, o estudante e a sua realidade. A experiência sócio-profissional se torna ponto de partida no processo de ensinar e, também, ponto de chegada, pois o método da alternância constitui-se no tripé ação – reflexão – ação – ou prática – teoria – prática. A teoria está sempre em função de melhorar a qualidade de vida.

      O que é a Escola Família Agrícola – EFA, ou o CEFFA? É um modelo de escola que se sustenta por quatro pilares fundamentais. A exemplo dos pilares de uma construção, os pilares da EFA precisam ser construídos antes da própria EFA. Estes pilares, aos quais chamamos de Princípios do sistema CEFFA estão divididos em duas categorias: a) Princípios meios: 1) Uma associação formada de famílias, entidades e pessoas. Esta associação se responsabiliza pela gestão e administração da EFA; 2) A Pedagogia da Alternância e seus instrumentos pedagógicos organizados com uma metodologia própria e sintonizados com a conjuntura local; e b) Princípios fins, que são: 3) Um Plano que garanta uma Formação integral dos estudantes. Este deve ser concebido a partir de um diagnóstico participativo e de uma concepção coletiva da educação necessária para a juventude do campo e; 4) Um plano de ação que seja sustentável às famílias e ao meio.
      Para se construir este plano de ação sustentável se faz necessário um somatório de esforços e planejamento entre as diversas forças sociais e políticas da localidade e região, cada uma com seu papel e sua especificidade. A EFA, portanto, é um projeto social que, integrada a outros parceiros, com sua metodologia apropriada cria os meios de amenizar as dificuldades encontradas pelas famílias do campo.

      Como funciona a Pedagogia da Alternância?

      Para responder a essa pergunta é necessário entender porque ela surgiu. A história nos diz que no interior da França um adolescente não se adaptando à escola da cidade disse ao seu pai que não pretendia mais estudar e que gostaria de tocar sua vida plantando uva. Essa decisão preocupou o pai que conversando com outras famílias percebeu que seus filhos viviam a mesma situação. Resolveram procurar o vigário que, sensibilizado com a situação resolveu ajudar.

      O Padre se prontificou em hospedar os adolescentes por uma semana em sua casa alternada por outras duas semanas que os mesmos passavam em suas famílias. Ao voltar para casa, os adolescentes eram orientados pelo sacerdote a fazer pesquisas sobre a realidade de suas propriedades: quantos pés de uva, qual a área plantada, qual a largura das covas, quanto gastavam de insumos, etc.

      Estes jovens anotavam todas as informações e ao voltarem para a casa paroquial, socializavam os dados coletados em casa, com os outros colegas (eles eram em número de seis adolescentes). Daquelas apresentações todas, orientados pelo padre, construíam um relatório síntese da realidade de todos. Identificavam as principais situações – problemas que haviam encontrado em suas propriedades.

      Com estas informações organizadas e debatidas, o padre organizava uma visita numa localidade onde alguém já tivesse enfrentado aquele tipo de problema, para que os jovens pudessem entender como o haviam solucionado. Lá os adolescentes podiam comparar o que viam com a sua realidade de casa, da família, faziam perguntas, etc. anotavam o que viam com o intuito de, ao retornar para sua casa apresentar para seus familiares o que haviam aprendido e, quem sabe aplicar tais experiências na resolução do seu problema.

      O estudo das diversas disciplinas durante a semana de aulas na casa paroquial era baseado na síntese que os alunos tinham feito junto com o padre. Este tinha o cuidado de colocar as disciplinas a serviço das situações-problema que os adolescentes trouxessem. Assim eles viam aplicabilidade nos temas estudados em sala de aula.

      Para evitar a ociosidade e a conseqüente saudade da família e com o intuito de fortalecer as raízes culturais dos adolescentes, momentos recreativos recheados de atividades artísticas e culturais eram propiciados aos adolescentes durante a semana em que permaneciam juntos na casa paroquial, principalmente à noite.

      Todas as tarefas do dia a dia, como a arrumação e limpeza do espaço onde viviam, o cuidado com o jardim e as plantas era feito pelos adolescentes, organizados num esquema de rodízio, onde todos passavam por todas as atividades.

      No final da semana de vivência na “casa/escola” os adolescentes eram orientados e preparados para as duas semanas que iriam passar em casa e na comunidade. A intenção era tirar o máximo de proveito daqueles dias, tanto no sentido de darem um retorno para suas famílias, seus vizinhos do que aprenderam, quanto também de fazerem novas pesquisas e novas anotações para repassarem aos seus colegas e também para buscar respostas às questões levantadas naquele período. E assim, sucessivamente aqueles adolescentes se alternavam entre a casa paroquial e as casas dos seus pais, aprendiam os conteúdos gerais a partir das problemáticas encontradas no cotidiano familiar.
      Para não ficar na informalidade, a princípio estes adolescentes foram matriculados num sistema avaliativo daquele país que corresponde ao supletivo aqui no Brasil e ao final do ano iam lá prestar exame avaliativo, o que despertou a curiosidade das pessoas e estudiosos envolvidos, pois aqueles adolescentes se sobressaiam nos resultados.

      Desta experiência surge, então, a Maison Familiale Rurale (Casa Familiar Rural) que no final da década de 60 do século passado, chega ao Brasil com o nome de Escola Família Agrícola – EFA. Aí está a essência de como funciona a Pedagogia da alternância. Hoje a Pedagogia da Alternância está organizada em duas Redes: a das Casas Familiares Rurais – CFR que se articulam através da Associação Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR e a das Escolas Famílias Agrícolas – EFAs que se articulam através da União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil – UNEFAB. Estas duas redes (UNEFAB e ARCAFAR formam os Centros Familiares de Formação por Alternância – CEFFAs.

      Tendo explicado o que é e em que consiste a Pedagogia da alternância, explicaremos agora o que são os Instrumentos Pedagógicos: A cada atividade desenvolvida na história contada acima foi atribuído um nome específico e ao conjunto destes foi dado o nome de “Instrumentos Pedagógicos da Alternância”

      Então, o que são e como funcionam os tais instrumentos pedagógicos da alternância na EFA?

      Para descrever os instrumentos pedagógicos relacionaremos cada instrumento pedagógico que a EFA utiliza na atualidade, com os momentos citados na experiência original e pioneira da França e também como eles ajudarão nas ações da proposta de ATER apresentada, conforme o edital.

      Da problemática relativa à educação e o futuro dos filhos, como na história contada, surge um Projeto Político Pedagógico e um regimento que vão ser instrumentos orientativos mais gerais da EFA.

      O detalhamento pedagógico das ações é organizado em uma ferramenta denominada de PLANO DE FORMAÇÃO DA EFA. Este plano de formação é o currículo da EFA, ele se divide em três partes: 1) conteúdos Vivenciais 2) conteúdos gerais, também chamados de Base Nacional Comum; 3) Conteúdos da parte diversificada e profissionalizante.

      Os conteúdos vivenciais são organizados no plano de formação a partir de um diagnóstico feito a cada ano junto às famílias e comunidades dos educandos e constituem-se num Instrumento Pedagógico denominado PLANO DE ESTUDO que é um roteiro de pesquisa elaborado pelo próprio estudante a ser pesquisado em sua família e/ou comunidade. Cada Plano de Estudo traz uma temática diferente. Antes dos estudantes iniciarem a pesquisa em casa eles são motivados a elaborarem um roteiro das questões que desejam pesquisar. Este roteiro é organizado com a ajuda dos monitores da EFA e depois de pronto é entregue para que cada estudante proceda à pesquisa, no momento da alternância no seu meio sócio profissional.
      Depois de respondida a pesquisa de Plano de Estudo, o aluno faz, ainda em casa, uma SÍNTESE pessoal das respostas dadas, chegando na EFA, faz uma socialização com a turma daquilo que cada um pesquisou. e daí pra frente, a equipe de educadores organiza as aulas, em caráter inter e/ou transdisciplinar.
      Em resumo é assim o funcionamento de uma EFA. Precisando de mais detalhes, faça contato. amefaefa@yahoo.com.br. Abraço. Idalino


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